Descontrolados com notícias que não param de pipocar, deputados e senadores da “tropa de choque” do governo mudam de tática. A ordem agora é “matar” a CPI na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), um órgão da Câmara dos Deputados. Ali o Palácio do Planalto acha que dispõe de votos para frustrar a CPI, declarando-a inconstitucional.
A alegação é falta de “fato determinado”, algo que justifique a investigação. Tudo se resumiria a suspeitas, usadas pela oposição por motivos eleitorais, para produzir uma devassa na administração petista. A decisão da CCJ terá de passar pelo crivo de deputados e senadores, num momento em que pesquisas não deixam dúvidas: a população quer a investigação do escândalo.
Para complicar as coisas há uma crise na relação Palácio do Planalto/PT. Ministros não se entendem entre si. Lula, atrás de uma saída, escolhe o ministro Antonio Palocci (PT-SP) para negociar com parlamentares. O objetivo é um só: abortar a CPI. A condução do processo, nas mãos de Palocci, desagrada a José Dirceu (PT-SP), o poderoso ministro da Casa Civil, que mantém uma disputa surda com o ministro da Fazenda. Do deputado João Paulo Cunha (PT-SP):
– Não vai haver CPI.
Do líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP):
– A tese de inconstitucionalidade da CPI tem eco e respaldo em vários deputados da CCJ.
Deputado Paulo Rocha (PA), líder da bancada do PT:
– Temos maioria na CCJ, temos maioria no plenário, estamos reconstruindo a nossa maioria política.
Opinião do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, favorável à CPI:
– Quando há um fato, e não é tolo, é dever fazer um amplo esclarecimento.
Outro problema no horizonte, com potencial para atormentar o governo. Senadores de oposição decidem acionar o STF (Supremo Tribunal Federal), com a finalidade de reavivar uma CPI dos Bingos. O objetivo é apurar irregularidades em casas de jogo e a conduta de Waldomiro Diniz, o ex-assessor do ministro Dirceu fulminado em 2004, após aparecer numa gravação pedindo propina.
O requerimento da CPI dos Bingos fora arquivado pelo então presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Aliado do governo, Sarney determinara o engavetamento da comissão alegando que nada podia fazer, já que os líderes da base governista se recusavam a indicar os nomes para compor a CPI.
