Depoimento à Polícia Federal. É de João Cláudio Genu, assessor do deputado José Janene (PP-PR). Ele admite que fez vários saques em dinheiro vivo na agência do Banco Rural no Brasília Shopping. De setembro de 2003 e janeiro de 2004, foram R$ 850 mil em retiradas. Genu agiu por determinação de Janene e dos deputados Pedro Corrêa (PP-PE) e Pedro Henry (MT).
Genu nega que distribua dinheiro do mensalão a deputados do PP. Apenas transportou somas, como uma espécie de “mula”. Segundo Genu, ele pegava o dinheiro dentro da agência, em envelopes entregues por Simone Vasconcelos, a alta funcionária de Marcos Valério. Tudo ia para dentro de uma pasta tipo 007, sem conferir. Da agência bancária, Genu ia para o anexo do Senado, onde estão a presidência e a sede do PP. Lá funcionava uma tesouraria do partido.
A Polícia Federal monta esquema para proteger a vida de Soraya Garcia. Ela cuidou das finanças da campanha de Nedson Micheletti (PT) à Prefeitura de Londrina (PR), em 2004. Militante do PT, acabou denunciando a sonegação de R$ 6,5 milhões nos gastos da campanha apresentados pelo PT à Justiça Eleitoral. Ela acusa o envolvimento do então deputado Paulo Bernardo (PT-PR), ministro do Planejamento de Lula, e de outro deputado, André Vargas (PT-PR).
Declaração do promotor eleitoral Sérgio Correia de Siqueira sobre o caixa 2 que reelegeu Micheletti, com referência ao ministro Bernardo e ao deputado Vargas:
– O que ela fala é que eles chegavam de Brasília num dia e o dinheiro aparecia no outro.
Aparecia dentro de sacos plásticos de lixo e em sacolas de lojas. Oficialmente, a campanha custou R$ 1,3 milhão. De acordo com os números de Soraya, foram R$ 7,8 milhões. Ela relatou ao promotor que foi incumbida de fazer duas planilhas de despesas. Uma, em letras azuis, a oficial. A outra, em vermelho, mostrava o caixa 2. Depois que os documentos eram impressos, os arquivos eram apagados do computador.
Soraya põe no rolo o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho. Ele é natural de Londrina. Carvalho foi procurado várias vezes para dar socorro financeiro à campanha de Micheletti. Olha a coisa batendo na porta de Lula, novamente.
Em entrevista ao repórter Sérgio Gobetti, de O Estado de S. Paulo, o deputado João Magno (PT-MG), ex-prefeito de Ipatinga (MG), confessa que errou ao receber R$ 50 mil do valerioduto, em 2003. Diz que o dinheiro foi usado para pagar dívidas de campanha:
– Não declarei. Não digo que a gente não deva respeitar a lei, mas se não jogar as regras do jogo tem de deixar a política. Recebi consciente de que era desvio da lei, mas essa é a regra do jogo no Brasil.
Magno apresentou Marcos Valério, um velho conhecido, aos deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e José Mentor (PT-SP). Valério também tem bom relacionamento com o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Agora, essa: para obter dinheiro do caixa 2 do PT, o petista Magno procurou Valério, e não Delúbio. A confissão:
– Foi quando perguntei se era possível ele liberar algum dinheiro, para pagar dívidas da minha campanha. Ele disse que dependia de ter o consentimento do Delúbio. Ele não entregaria dinheiro sem autorização do PT.
Em 2002, antes de conversar com Valério, Magno já havia ido a Delúbio Soares procurar a “ajuda financeira”. É revelador:
– Ele disse que ia ver o que era possível fazer. Naquele momento achei uma providência bastante solidária dele. Esse assunto não era discutido no diretório estadual, mas cada deputado sabia que existia essa fonte de ajuda.
