Em depoimento à CPI do Mensalão, o ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), presidente do PL, dá explicações. Recebeu R$ 6,5 milhões em recursos do caixa 2 do PT, entre janeiro de 2003 e setembro de 2004. Pagou despesas com material de campanha do presidente Lula, ainda do segundo turno das eleições de 2002. O jogo de Valdemar:
– A situação em São Paulo era difícil. Lula tinha vencido José Serra no primeiro turno por apenas 100 mil votos. Tínhamos que entrar com força. Encomendei o material e o dinheiro foi gasto para pagar os fornecedores.
Valdemar foi autorizado pelo tesoureiro Delúbio Soares, “porque ele estava cheio de dívidas e não podia mais procurar os fornecedores”. Valdemar não tem como comprovar os gastos:
– Só tenho recibos de R$ 1,7 milhão. Os outros R$ 4,8 milhões foram entregues sem comprovação. Estou tentando pegar alguns recibos no PT.
Ivan Guimarães, o ex-presidente do Banco Popular, depõe na CPI dos Correios. Braço do Banco do Brasil, o Banco Popular foi criado em 2003 para fomentar a concessão de microcréditos. Em 2004, Guimarães alugou o apartamento de Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério. Imóvel vendido por Ângela Saragoça, ex-mulher de José Dirceu (PT-SP).
No primeiro ano de funcionamento, o Banco Popular gastou R$ 29,7 milhões com propaganda, bem mais que os R$ 21,3 milhões liberados para a concessão de microcréditos. Diz Guimarães:
– Os gastos de marketing são mais elevados no primeiro ano, porque é preciso construir a imagem da instituição.
Em seu depoimento, ele atribui toda a responsabilidade pelas despesas e decisões sobre gastos de propaganda à diretoria de marketing do Banco do Brasil, chefiada por Henrique Pizzolato.
– Remetíamos os recursos ao Banco do Brasil e eles efetuavam os dispêndios. Não tínhamos contato com agências de publicidade.
O Banco Popular contratou, sem licitação, a Lumens Serviço de Informação. Por R$ 35 mil por mês, a empresa de consultoria faria o “desenvolvimento de suporte à estrutura e gestão de serviços”. A Lumens é de Bonerges Ramos Freire. Ele é casado com Patrícia Valente, a irmã de Mônica Valente, mulher de Delúbio Soares. O negócio foi encerrado em abril de 2005.
