Como ler:

Abertura


Cronologia da Crise:

anterior | próxima

216
15/12/2005

O Tribunal Regional Federal condena o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos a três anos e meio de reclusão, por abuso de poder e extravio de provas de processo. Ele é sentenciado por destruir 42 fitas com escutas telefônicas relacionadas à investigação do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT), em 2002. O juiz já havia sido condenado por negociar sentenças e por formação de quadrilha.

Os diálogos contidos nas 42 fitas sugerem uma articulação de lideranças do PT para preparar depoimentos e interferir na apuração da morte de Daniel. As gravações foram feitas a pedido da Polícia Federal. Para manter o sigilo do caso, houve autorização para gravar conversas sobre tráfico de drogas.

A desgravação oficial das fitas, antes da destruição, revelou conversas de Gilberto Carvalho, ex-secretário de Governo de Daniel, nomeado em 2003 para a chefia de gabinete do presidente Lula. Há referências ao ex-deputado José Dirceu (PT-SP).

Advogados do então secretário de Serviços Municipais de Daniel, o ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT), solicitaram a destruição das fitas. O juiz Rocha Mattos autorizou o pedido em 24 horas, sem notificar a Procuradoria. Um novo lote das mesmas fitas foi localizado posteriormente. Enviado a Rocha Mattos para ser juntado ao processo, não o foi. O juiz também não deu ciência do material ao Ministério Público Federal. Depois, retirou as fitas da 4ª Vara da Justiça Federal, e alegou que levou o material para o apartamento da ex-mulher dele. As fitas não foram mais localizadas.

anterior | próxima | início