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Cronologia da Crise:

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18/12/2005

Em entrevista ao Jornal do Brasil, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) acusa os fundos de pensão de serem os responsáveis pelo abastecimento das contas bancárias de Marcos Valério. Ele cita suposta aplicação “malfeita” no Banco Santos, no valor de R$ 150 milhões, referente ao Real Grandeza. O fundo pertence aos funcionários de Furnas. Jefferson acusa o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) de ter indicado um presidente do Real Grandeza. Diz Jefferson:

– Como é que um fundo de pensão aplica num banco de terceira linha sem nenhuma garantia? Gestão temerária.

Na entrevista concedida ao repórter Paulo Celso Pereira, Jefferson afirma ter sido traído por Lula no episódio da fita que mostra um alto funcionário dos Correios pondo a mão em propina. Jefferson acredita que estava incomodando:

– Fui a vários ministros dizer: “Está tendo o mensalão”. Fiz várias vezes. Aí surge aquela história do Maurício Marinho recebendo R$ 3 mil numa plantação que a Abin fez para tentar colocar um crime na minha vida e na do PTB.

Jefferson dá a sua versão por não ter acusado Lula na época em que denunciou o mensalão, embora agora afirme que já o considerava o responsável pela perseguição:

– Sabia que o Lula eu não poderia atingir. Atirei então em volta dele. Peguei firme no Zé Dirceu e no Luiz Gushiken. E a conseqüência é essa toda que você está vendo.

– O senhor sempre repetiu que o presidente Lula não estava envolvido no mensalão. Hoje o senhor repete isso?

– Sempre entendi que o Lula sabia, eu só não tinha como provar. Já era difícil confirmar minha versão sem colocar o Lula na história. Se eu o colocasse então, nunca conseguiria afirmá-la. Foi uma estratégia. Atingi em volta, aquele núcleo duro do governo, e preservei o Lula. Bati duro no Zé Dirceu, no Gushiken, no Antonio Palocci, mas aí foi uma correria em cima de mim. Vários empresários do Rio e de São Paulo vieram me pedir para não desestabilizar a economia. Aí não peguei nele.

– Mas de que poderia tê-lo acusado?

– Disse a ele três vezes sobre o mensalão e ele nada fez. E o Palocci ainda tem um agravante, porque o Coaf é subordinado a ele. Se você sacar R$ 100 mil, o Coaf avisa ao ministro. Então, ele não sabia que o Marcos Valério havia sacado R$ 55 milhões em dinheiro? É claro que sabia. Mas foi poupado porque o mercado não quer desestabilizar a estrutura que tem favorecido os partidos.

– O senhor falou que foi uma estratégia de defesa não envolver o Lula. Em que ponto o senhor tem certeza da participação dele?

– Os três ministros do núcleo duro dele sabiam, montaram o mensalão, alugaram a base parlamentar. Você acha que o presidente não sabia? Os três mosqueteiros do rei sabiam e o rei não sabia? Eles agiam em causa própria sem que o Lula soubesse? É claro que o Lula sabia.

– O senhor afirma que foi ele que deu a ordem para iniciar o mensalão?

– A inteligência foi feita pelos três ministros do núcleo duro e o Lula aprovou. Eu só não podia provar. Se não acusando o Lula já fui cassado, imagina se eu acuso! Fui ao meu limite.

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