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Cronologia da Crise:

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20/12/2005

Na véspera da anunciada divulgação do relatório preliminar da CPI dos Correios, o empresário Marcos Valério vem a público dizer que recorreu à Justiça. Quer receber R$ 100 milhões do PT. Alega que o dinheiro foi emprestado ao partido, sendo R$ 55,8 milhões da dívida original e os outros R$ 44,2 milhões de juros, atualização monetária e encargos financeiros.

O ex-tesoureiro Delúbio Soares reconhece os empréstimos e a parceria com Valério, mas a nova direção do PT só admite dívida de R$ 2,4 milhões. É a parcela de uma operação de crédito feita com o BMG, dinheiro supostamente quitado por Valério em nome do PT.

Fica a dúvida se o suposto litígio entre Valério e o PT é forjado e propositadamente ensaiado e posto em prática, com a finalidade de confundir e questionar o relatório da CPI. Afinal, se uma parte cobra uma dívida e a outra reconhece parte do passivo, é para fazer crer que os empréstimos de fato existiram e não houve simulação.

Na ação anunciada por Valério, o empresário informa que fez seis empréstimos para o PT, em nome das empresas SMPB, Graffiti Participações e Rogério Tolentino Associados. A CPI suspeita. Os empréstimos poderiam ser de fachada, com o objetivo de acobertar o verdadeiro esquema, as mencionadas transações ilícitas e desvio de dinheiro público.

Parte da mesma estratégia, a DNA, a outra agência de publicidade de Valério, apresenta notificação extrajudicial contra o Banco do Brasil. Decide cobrar R$ 13 milhões de serviços que diz ter prestado à Visanet, um dinheiro devido e não acertado pelo banco. Vale o mesmo raciocínio: se Valério cobra dívida, faz crer que trabalhou e tem crédito junto ao Banco do Brasil. Assim, questiona a procedência do caso Visanet e o desvio de dinheiro público para o PT.

Antonio Palocci (PT-SP) admite à Comissão de Ética Pública que viajou de jatinho de Brasília a Ribeirão Preto (SP), para assistir à solenidade de filiação do prefeito Gilberto Maggioni ao PT. O evento ocorreu em 23 de julho de 2003. O avião usado no deslocamento, diz o ministro, foi “disponibilizado pelo partido”.

Palocci é acusado de pegar carona na aeronave do empresário José Roberto Colnaghi. Ele também teria emprestado o avião para trazer dólares de Cuba para o PT, num vôo entre Brasília e Amarais, no interior de São Paulo, em 2002. Na época, Palocci era um dos coordenadores da campanha de Lula.

Inicialmente Palocci negou a notícia da viagem no avião de Colnaghi, publicada pela Folha de S.Paulo. Mas o empresário confirmou a “carona”. Agora, Palocci afirma que voou em avião fornecido pelo PT, que pagou a viagem. O ministro não menciona se era o avião que pertencia a Colnaghi.

A Assembléia Legislativa do Ceará rejeita, por 23 votos a 16, o pedido de cassação do deputado José Nobre Guimarães (PT-CE). O deputado admitiu ter recebido R$ 250 mil de Marcos Valério, dinheiro não contabilizado para a campanha derrotada de José Airton Cirilo (PT-CE) ao governo do Ceará. O diretório nacional do PT negou ter feito o repasse.

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