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Cronologia da Crise:

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26/12/2005

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, fala ao jornal Folha de S.Paulo. Para ele, o processo de impeachment de Lula é uma hipótese, e depende da conclusão das investigações da CPI dos Correios. Diz Busato:

– Desde o primeiro escândalo, o do Waldomiro Diniz, sempre houve a tentativa de esconder a corrupção embaixo do tapete. Naquele momento, o governo não tomou nenhuma posição, nem demitiu o funcionário. As investigações avolumaram-se de forma tão extraordinária pelo total descalabro ocorrido dentro do governo em termos de corrupção. É uma corrupção enraizada, sistematizada em toda a administração pública.

Para recordar, Waldomiro era um importante assessor do ex-ministro José Dirceu (PT-SP), mas foi flagrado numa conversa pedindo propina a um empresário de jogos. Teve a honra de não ser exonerado por Lula. Diniz pediu o próprio afastamento do governo.

Busato fala à repórter Lílian Christofoletti do ex-ministro Luiz Gushiken. Para o presidente da OAB, ele é o mais próximo de Lula:

– Tudo o que já foi dito demonstra a completa culpabilidade da administração do governo Lula e, o que é pior, atingiu mortalmente o maior amigo do presidente.

Gushiken é o “confidente do presidente”, pessoa tão íntima que, ao ser envolvido no escândalo do mensalão, deixou de ser ministro mas não foi afastado do governo. Lula o nomeou uma espécie de assessor especial do presidente. Continua Busato:

– A revelação de repasses de verba de publicidade da Visanet, ligada ao Banco do Brasil, a agências de Marcos Valério, e de distribuição a parlamentares sempre em épocas apropriadas ao governo, atingiu mortalmente o coração de Gushiken. E, ao atingir Gushiken, atinge Lula, na medida que o presidente não tomou nenhuma atitude para afastá-lo do governo. É prova inconteste de que Lula sabia exatamente todo o esquema e estava de acordo com a sua existência.

– Em que reside a sua certeza?

– A participação de Lula é absolutamente baseada pela proximidade de quem sempre foi confidente e grande amigo de Gushiken. O ex-ministro realmente comandava toda a área de comunicação do governo federal, onde havia um desvio de dinheiro público para atividades partidárias e delituosas no sentido de corromper o Congresso Nacional.

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