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Cronologia da Crise:

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7/12/2005

Em entrevista à revista Fórum, ligada ao Fórum Social Mundial, o ex-deputado José Dirceu (PT-SP) responde se teve problemas pessoais com o presidente Lula:

– Uma mistura de coisas. O personagem é difícil. Está ficando claro isso.

De acordo com Dirceu, o governo Lula acabou:

– Eu sou um símbolo. Na verdade, não sobrou nada no governo. Luiz Gushiken, Gilberto Carvalho, Antonio Palocci, José Dirceu.

Em entrevista a emissoras de rádio, Lula afirma:

– Eu levaria o José Dirceu para o palanque, até porque ele foi cassado e não foi provado nada contra ele. Até agora não vi nenhuma acusação que possa dizer “Dirceu cometeu um delito”.

Em outro trecho, o presidente diz que o uso de caixa 2 foi um “erro abominável”:

– Não pense que fiquei inibido de ser petista. Pelo contrário, agora estou mais orgulhoso. Acho o seguinte: nós também não somos infalíveis, cometemos erros e quando cometemos erros, temos de pagar e pagar forte.

Depoimento à CPI dos Correios. Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, responsabiliza o ex-ministro Luiz Gushiken e o ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, pelo adiantamento de R$ 73,8 milhões de verbas de publicidade da Visanet, para a agência DNA de Marcos Valério. Os procedimentos ocorreram em 2003 e 2004. De acordo com investigação da comissão, pelo menos R$ 10 milhões desse dinheiro acabaram irrigando o caixa 2 do PT.

Pizzolato afirma ter sido procurado a primeira vez por um diretor e um gerente do Banco do Brasil, com o pedido de autorização para uma nota técnica que assegurava o repasse adiantado de R$ 23,3 milhões para a DNA. O ex-diretor relata ter consultado Gushiken a respeito:

– O Gushiken disse: “Assina que não há nenhum problema”. Entendi aquilo como uma ordem. Eu não ia questionar o ministro.

Reação de Gushiken, que foi afastado da Secom, a Secretaria de Comunicação da presidência da República, durante o escândalo do mensalão. Recorda-se que o ex-ministro não se desligou do governo. Lula nomeou-o chefe de um núcleo de assuntos estratégicos:

– O Pizzolato é confuso por natureza. O fato é que eu nunca soube sobre antecipação de pagamentos para a DNA.

Depoimento à CPI dos Bingos. O empresário José Roberto Colnaghi admite ter transportado o ministro Antonio Palocci (PT-SP) duas vezes em aviões de sua propriedade. Numa delas, Palocci estava acompanhado do então presidente do PT, José Genoino (SP). Colnaghi é dono do avião que teria sido usado para trazer dólares de Cuba ao PT, numa viagem de Brasília a Amarais, no interior de São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2002.

Palocci era um dos coordenadores da eleição de Lula em 2002. O então prefeito de Ribeirão Preto (SP) também teria viajado em aeronave de Colnaghi com o presidente do PT na época, o ex-deputado José Dirceu. O avião de Colnaghi seria usado “cinco ou seis vezes” em 2002.

Em outro momento de seu depoimento, Colnaghi reconhece ter atuado para aproximar diretores do Banco Regional de Keve, angolano, de dois ex-assessores de Palocci na Prefeitura de Ribeirão, Ralf Barquete e Vladimir Poleto. Na época, ambos eram consultores do Banco Prosper. Eles tentariam intermediar a venda de um banco brasileiro a empresários angolanos.

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