Em depoimento à CPI dos Bingos, Carlos Roberto Godinho, ex-superintendente do Banco Rural, confirma informações prestadas à revista Época. Segundo ele, os empréstimos do Banco Rural a Marcos Valério, em fevereiro e setembro de 2003, num total de R$ 28,8 milhões, foram operações “de fachada”, negócios “feitos para não serem pagos”, com a finalidade estratégica de “maquiar” outras fontes de recursos.
Godinho explica que as suspeitas sobre as operações vêm da renovação dos empréstimos a cada 90 dias, sem que Valério pagasse os valores devidos. Detalhe: havia dinheiro nas contas correntes de Valério no Banco Rural, que poderia ter sido usado para pagar os empréstimos. Já o Banco Rural, por sua vez, não fez provisionamentos, ou seja, reservas de recursos para cobrir eventuais prejuízos, uma exigência do Banco Central. Godinho também acusa o Banco Central de ter sido complacente com as supostas irregularidades. Diz Godinho:
– O fato de quantias astronômicas de Marcos Valério passarem pelo banco e os empréstimos não serem pagos mostra que eles foram concebidos para não ser pagos.
Outro fator que levantou suspeitas: as movimentações das contas da SMPB e da Grafitti, ambas ligadas a Valério, eram pelo menos dez vezes superiores ao faturamento declarado das empresas. Os saques efetuados por ambas, sempre em valores altos, eram muitas vezes em dinheiro vivo.
Era suspeito, ainda, o Banco Rural, cliente da agência SMPB, pagar regularmente as campanhas publicitárias, apesar de supostamente a agência estar inadimplente com o banco. Em contrapartida, de acordo com Godinho, o Rural teria sido beneficiado por aplicações financeiras de fundos de pensão, patrocinadas por empresas estatais. E isso compensaria a parceria.
Depoimento ao Conselho de Ética da Câmara. José Nilson dos Santos, ex-assessor do deputado Professor Luizinho (PT-SP), procura inocentar o parlamentar de envolvimento com o saque de R$ 20 mil do valerioduto. Segundo ele, a retirada foi de sua responsabilidade e autorizada por Delúbio Soares, um velho conhecido. Ao defender-se, porém, Luizinho admitira ter sondado Delúbio sobre a possibilidade de o PT repassar R$ 20 mil, para o que alegou ser a campanha de pré-candidatos a vereador em 2003.
Mesmo sem querer, Santos acaba implicando o deputado no saque. Luizinho sabia:
– Havia consultado Luizinho sobre o dinheiro e ele disse que isso não era com ele, mas com o PT. Então, por conta própria, procurei o Delúbio.
