Dezembro de 2005
A Petrobrás prorroga o contrato com o publicitário Duda Mendonça. Quase quatro meses depois de Duda admitir que recebeu R$ 10,5 milhões por meio do caixa 2 do PT na offshore Dusseldorf, nas Bahamas, em pagamento por serviços prestados à campanha eleitoral que elegeu Lula em 2002, a Petrobrás anuncia a prorrogação de contratos de publicidade, no valor de R$ 212 milhões anuais. Os serviços continuarão a ser prestados pelo mesmo pool de agências, o que inclui a Duda Mendonça Associados. Caberá a Duda administrar R$ 63 milhões até o fim do governo Lula.
O caso Coteminas. O jornal Folha de S.Paulo traz informações segundo as quais o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, ligado ao Ministério da Fazenda) identificou um depósito de R$ 1 milhão, em dinheiro, em nome do PT, na conta bancária da Coteminas (Companhia de Tecidos Norte de Minas), cujo dono é o vice-presidente da República, José Alencar (PL-MG).
Repercute o caso Coteminas. Para o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o pagamento de R$ 1 milhão, em dinheiro vivo, à empresa do vice-presidente José Alencar (PL-MG), tem origem em caixa 2. Diz Serraglio:
48 horas depois do caso Coteminas ganhar as manchetes de jornal, Delúbio Soares vem a público assumir a responsabilidade sobre tudo. Em nota divulgada por seu advogado, o ex-tesoureiro afirma que o R$ 1 milhão entregue à Coteminas fazia parte de uma reserva do caixa 2 do PT, alimentado por Marcos Valério. No dia em que o escândalo foi divulgado, Delúbio sugerira que o dinheiro não tinha origem nos repasses de Valério. Diz a nota com a nova versão de Delúbio:
Em entrevista à revista Fórum, ligada ao Fórum Social Mundial, o ex-deputado José Dirceu (PT-SP) responde se teve problemas pessoais com o presidente Lula:
Em depoimento à CPI dos Bingos, Carlos Roberto Godinho, ex-superintendente do Banco Rural, confirma informações prestadas à revista Época. Segundo ele, os empréstimos do Banco Rural a Marcos Valério, em fevereiro e setembro de 2003, num total de R$ 28,8 milhões, foram operações “de fachada”, negócios “feitos para não serem pagos”, com a finalidade estratégica de “maquiar” outras fontes de recursos.
Em depoimento à Polícia Federal, Delúbio Soares é questionado sobre o R$ 1 milhão usado para pagar parte da dívida do PT junto à Coteminas. Segundo o ex-tesoureiro, o dinheiro ficava guardado em cofre na sede nacional do partido, em São Paulo. Delúbio diz que o dinheiro permaneceu o tempo todo no cofre, sem aplicação financeira, pois estava fora da contabilidade oficial do PT.
A revista Veja informa que a Coteminas, empresa do vice-presidente José Alencar (PL-MG), crítico contumaz da política de juros do governo Lula, vem obtendo empréstimos do governo federal, na administração Lula, com juros favorecidos. Entre 2003 e 2005, a Coteminas tomou R$ 421 milhões em empréstimos subsidiados, por meio de crédito rural e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). No primeiro caso, pagou juros anuais de 8,7%. No segundo, de 12,3% e de 14%. Se tivesse pago as taxas normais de mercado, o desembolso da empresa de Alencar teria sido superior a 30% anuais.
O jornal Folha de S.Paulo conta a história do relacionamento do PT com a Santorine Comercial e Distribuidora, uma empresa do ramo atacadista de alimentos e bebidas, à qual o partido teria repassado R$ 795 mil pela fabricação de 267 mil faixas plásticas e 675 mil bandeirinhas para a campanha de Lula em 2002.
A CPI dos Correios desvenda mais um tentáculo do caso Visanet. Recapitula-se uma das operações do esquema: R$ 34,8 milhões saíram do Banco do Brasil em 12 de março de 2004, sob pretexto de adiantamento de verbas de publicidade para a DNA. O dinheiro foi depositado numa aplicação da agência de Marcos Valério no Banco do Brasil e, de lá, saíram R$ 10 milhões para o BMG. Em seguida, os R$ 10 milhões foram usados formalmente para um empréstimo para a Tolentino Associados, ligada a Valério.
Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, o deputado Wanderval Santos (PL-SP), acusado de retirar R$ 150 mil do valerioduto, responsabiliza o ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) pelo saque. Wanderval admite ter sido sócio de Rodrigues em empresas radiofônicas. Rodrigues renunciou ao mandato de deputado em conseqüência do escândalo do mensalão.
A Câmara dos Deputados absolve o primeiro mensaleiro, cuja cassação fora recomendada pelo Conselho de Ética. Trata-se do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), acusado de mandar um assessor sacar R$ 350 mil do esquema de Marcos Valério, e de ter recebido outros R$ 102 mil não contabilizados da empresa siderúrgica Usiminas, por intermédio da SMPB, uma das agências de publicidade de Valério.
O Tribunal Regional Federal condena o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos a três anos e meio de reclusão, por abuso de poder e extravio de provas de processo. Ele é sentenciado por destruir 42 fitas com escutas telefônicas relacionadas à investigação do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT), em 2002. O juiz já havia sido condenado por negociar sentenças e por formação de quadrilha.
O governo Lula cria 5.199 cargos na administração federal. Do total, 4.225 são para nomeação de funcionários que prestaram concurso público ou foram remanejados de outras áreas, e 974 destinados para cargos em comissão ou gratificação, abertos a pessoas de fora da máquina pública. Ou seja, para nomeações políticas. Estima-se gastos de R$ 4,6 milhões anuais com os novos cargos. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT-PR), garante que os empregos federais atendem a antigas reivindicações, e haverá um cronograma para preenchê-los. Brinca:
Em entrevista ao Jornal do Brasil, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) acusa os fundos de pensão de serem os responsáveis pelo abastecimento das contas bancárias de Marcos Valério. Ele cita suposta aplicação “malfeita” no Banco Santos, no valor de R$ 150 milhões, referente ao Real Grandeza. O fundo pertence aos funcionários de Furnas. Jefferson acusa o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) de ter indicado um presidente do Real Grandeza. Diz Jefferson:
A CPI dos Correios investiga se fundos de pensão fizeram operações de última hora para tentar salvar o Banco Santos no final de 2004, seguindo orientação política. Estão sob suspeita aplicações efetuadas nas duas semanas anteriores à intervenção do Banco Central, todas consideradas atípicas e fora de padrão. Os investimentos seriam questionáveis porque havia fortes rumores sobre a falta de liquidez do Banco Santos no mercado, várias semanas antes da intervenção. Não tinha sentido fazer investimentos no Banco Santos naquele momento.
Na véspera da anunciada divulgação do relatório preliminar da CPI dos Correios, o empresário Marcos Valério vem a público dizer que recorreu à Justiça. Quer receber R$ 100 milhões do PT. Alega que o dinheiro foi emprestado ao partido, sendo R$ 55,8 milhões da dívida original e os outros R$ 44,2 milhões de juros, atualização monetária e encargos financeiros.
A CPI dos Correios divulga relatório preliminar. Em 411 páginas, o balanço de seis meses de trabalho. De acordo com o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), o mensalão existiu de quatro formas. A primeira delas serviu para fazer repasses semanais de dinheiro. Vinha de contas de Marcos Valério e ia para a corretora Garanhuns. O destino final, o PL. No primeiro ano da administração Lula, em 2003, foram 24 transferências para o PL, todas entre R$ 200 mil e R$ 500 mil. Ocorreram nos dias 11, 19 e 26 de fevereiro. Em março, nos dias 6, 12, 17, 24 e 31. E em junho nos dias 4, 11, 15 e 18. O último repasse foi em 27 de agosto de 2003. Total: R$ 6,5 milhões. Ironiza Serraglio:
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, fala ao jornal Folha de S.Paulo. Para ele, o processo de impeachment de Lula é uma hipótese, e depende da conclusão das investigações da CPI dos Correios. Diz Busato:
Divulgado relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, do Ministério da Fazenda) com o registro de “operações atípicas”, no valor de R$ 93 mil, em nome de Paulo Okamotto. Ele é amigo do presidente Lula, e foi nomeado por Lula presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Okamotto apresentou-se como quem, de forma espontânea, resolveu pagar uma dívida de Lula junto ao PT, no valor de R$ 29.436,26.
O Tribunal de Justiça de Goiás determina a indisponibilidade do carro registrado em nome do ex-tesoureiro Delúbio Soares. É um Omega blindado, importado, ano 2000. A deputada Neyde Aparecida (PT-GO) também fica sem o Fiat modelo Palio Weekend, ano 2004. A decisão do juiz Ari Ferreira de Queiroz inclui ainda outros dois veículos, propriedades de Noeme Diná Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Goiás. A deputada Neyde também presidiu a entidade.
