O ministro Antonio Palocci (PT-SP) apresentou versão falsa em depoimento à CPI dos Bingos. Disse que o PT pagou as despesas do aluguel do jatinho particular usado por ele, em 23 de julho de 2003. Naquele dia, Palocci fez uma viagem de ida e volta entre Brasília e Ribeirão Preto (SP). A notícia está na Folha de S.Paulo. Os repórteres Mario Cesar Carvalho e Leonardo Souza procuraram notas fiscais e recibos que comprovassem o aluguel do avião, em diretórios do PT. Nada acharam. O dono da aeronave, o empresário José Roberto Colnaghi, confessou: não houve pagamento. Da reportagem:
“A história é uma farsa. Não houve pagamento pelo jatinho.”
Em seu depoimento à CPI, Palocci dissera:
– O PT disponibilizou um avião particular, alugou um avião para fazer a viagem.
Colnaghi também é dono de outro avião, aquele que teria transportado os dólares de Cuba para o PT. Palocci nega a doação do governo cubano, como negou a veracidade da notícia quando a sua viagem no avião de Colnaghi foi publicada pelos jornais da primeira vez. Na CPI dos Bingos, o empresário a confirmou. Aí veio Palocci, com a história do aluguel do avião. Agora, novamente foi desmentido.
Diz o Código de Conduta da Alta Administração Federal, em vigor desde o ano 2000, em seu artigo 7°:
“A autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei nem receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade.”
Em carta enviada à CPI dos Bingos, Colnaghi complica a situação de Palocci. Reafirma que não alugou o avião ao PT:
“Declaro, enfaticamente, que a referida aeronave, que é utilizada para minhas atividades industriais, pecuárias e de lazer, jamais foi locada a terceiros, nem cobrado qualquer reembolso por todos quantos nela já viajaram.”
O advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, lançou mão de artifício para proteger o patrimônio de credores. Adotou o expediente em 30 de novembro de 2005, cinco dias após ter sido convocado para depor na CPI dos Bingos. Ele não compareceu ao depoimento. De acordo com a repórter Catia Seabra, da Folha de S.Paulo, Teixeira tem dívidas que superam R$ 650 mil. Para evitar uma eventual perda das posses, registrou como “bem de família” quatro propriedades localizadas em Monte Alegre do Sul (SP), como se residisse lá. Suspeita-se que ele continua no mesmo apartamento em São Paulo.
Teixeira juntou na mesma propriedade o Recanto Ilh’arissa, de 9.480 metros quadrados, a Chácara Recanto Morada do Sol, de 5.100 metros quadrados, o Bairro do Falcão, de 23.988 metros quadrados, e a Ilha’Arissa, de 12.823 metros quadrados. Chamou-a de Recanto Valeska. Tem 51.391 metros quadrados e foi avaliada em R$ 519 mil. A nova propriedade teria ficado imune à penhora de bens para o pagamento das dívidas.
