Em evento público em São Paulo, Lula não consegue fugir às perguntas dos jornalistas. Irritado, reage assim aos questionamentos sobre a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa:
– Não dou opinião. Isso a CPI vai julgar, a Polícia Federal vai julgar.
Indagado mais uma vez sobre o tema, demonstra nervosismo:
– Eu ando todo o dia, converso com milhares de pessoas, e ninguém me perguntou isso.
O caso foi destaque no noticiário durante algumas semanas. Repercutiu em toda a sociedade brasileira. E terminou com o afastamento do ministro mais importante de Lula, além da exoneração do presidente da Caixa Econômica Federal, também envolvido no crime de violação do sigilo. Tem razão o presidente, ninguém se interessou pelo assunto.
Não foi só. Durante o evento, questionaram Lula sobre a oficialização da sua candidatura à reeleição. Resposta:
– Temos dois meses pela frente, temos muitas obras para inaugurar. Se eu disser que sou candidato, eu não posso fazer isso. Se o partido fizer convenção vai ficar mais difícil. Então, eu quero ter liberdade para fazer as coisas.
Reação da jornalista Dora Kramer, em O Estado de S. Paulo:
“Ele parece realmente convencido de que ‘as coisas’ podem ser feitas desse modo. Se a lei não permite, então arranja-se um jeito de contornar as restrições. Para ele, tudo se resume a aparências: se não diz que é candidato, pode agir como se não fosse, embora reconheça que só não assume a candidatura porque isso obrigaria a andar dentro da lei, em condições de igualdade com seus adversários.”
Da mesma forma, se diz que não sabia do mensalão, não tem nada a ver com o problema.
